sexta-feira, 9 de maio de 2008

E foi assim que construímos uma bandeira...

A fase da elaboração.








...e "voila"...


terça-feira, 6 de maio de 2008

A Lenda do "Frei Tomás e as Festas do Espírito Santo" (Ilha de S.Jorge, Açores)

As festas do Espírito Santo em S. Jorge, no século dezanove, como nas restantes ilhas dos Açores, decorriam numa alegria de foliões e terços cantados, à mistura com bailes, jogos e procissões. Frei Tomás de Bettencourt, religioso no convento da vila das Velas, não via com bons olhos esses folguedos e, com alguma soberba fidalga, afirmava que ainda havia de levar essas festas à pureza religiosa.
Num certo ano, a sua afilhada e sobrinha, Catarina Tomásia de Bettencourt, foi sorteada como imperatriz nas festas do Espírito Santo.
O frade afiançou que naquele ano não ia haver foliões, nem danças, nem ruído de festa profana.
Assim aconteceu.
Frei Tomás de Bettencourt, apesar de saber que o iam criticar, não desistiu do seu intento. Os três dias de festejos do Espírito Santo decorre­ram com muito brilho religioso e abundância de esmolas, mas o povo não se consolou a bailar, a ouvir os foliões e, apesar de não ter desgostado, sentiu um vazio na alma.
No ano imediato a mordomia foi parar a casa de um homem do povo, um Betencort, que guardou a coroa do divino, com todo o respeito, embrulhada em fina colcha de seda, na arca que tinham no quarto do casal. Ia ficar ali até ao próximo ano.
Uma noite, marido e mulher começaram a aperceber-se de um barulho prolongado e compassado de dança, que muito os intrigou. Embo­ra apurassem o ouvido, não conseguiram deduzir de onde provinha tão estranho ruído.
Nas noites seguintes, enquanto o casal, já deitado, conversava nos afazeres do dia, voltou a ouvir na calada da noite o ruído que tanto os tinha alarmado.
Levantaram-se, uma noite, procuraram por todos os cantos do quarto até que, por fim, louvado seja Deus, descobriram que era a coroa do Espírito Santo que dançava dentro da arca.
Espalhou-se a notícia pela vila, Frei Tomás também foi informado do sucedido e o povo interpretou o facto como prova evidente de que o Espírito Santo desejava as suas festas com a alegria dos folguedos e das folias.
Frei Tomás de Bettencourt ficou contrafeito, mas não teve remédio senão aceitar a decisão do povo, aprovada pelo Divino. No ano seguinte e para sempre, as festas do Espírito Santo voltaram a fazer-se, com muitos bailes e cantares, vinho e alegria, em harmoniosa convivência com as solenidades religiosas.

Fonte: Frutado-Brum, Ângela. (1999). Açores, Lendas e outras Histórias. Ponta Delgada. Ribeiro e Caravana Editores

segunda-feira, 5 de maio de 2008